Deputados recebem representantes do projeto “Em Defesa Delas”

Deputados recebem representantes do projeto “Em Defesa Delas”

No combate à violência contra a mulher, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul é parceira do Governo do Estado, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e também da Defensoria Pública. Depois da abertura da campanha “Não é possível que você não esteja ouvindo”, hoje (4) os deputados receberam duas representantes do projeto “Em Defesa Delas”, que visa divulgar todos os serviços de proteção à mulher vítima de violência.

A defensora pública Graziele Carra Dias, representante da Associação dos Defensores Públicos de Mato Grosso do Sul (ADEP/MS), além de Bruna Oliveira dos Santos, que já foi vítima de violência doméstica e hoje trabalha na Subscretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, ocuparam a tribuna a convite do deputado Pedro Kemp (PT). Elas falaram sobre os serviços públicos de proteção às mulheres, sendo que Bruna relatou como sobreviveu à violência que sofreu durante o casamento e falou sobre sua trajetória até se tornar um exemplo às mulheres que precisam de força e confiança para denunciar.

Para o deputado Pedro Kemp, depoimentos como o de Bruna causam impacto e demonstram a necessidade da conscientização. “Com tantas ações, com o atendimento da Defensoria, da Delegacia da Mulher, ainda assim temos tantas mulheres agredidas e assassinadas. Essa violência parece uma epidemia. Precisamos denunciar e fazer valer os direitos das mulheres”, afirmou o parlamentar, parabenizando a campanha “Em Defesa Delas” e todo o trabalho realizado em prol da proteção das mulheres no estado.

Conforme a defensora pública Graziele, atualmente as mulheres assistidas pela Defensoria Pública contam com o Núcleo Institucional de Promoção e Defesa da Mulher (Nudem). “Somos quatro defensoras públicas trabalhando em defesa da mulher, além de contarmos com psicóloga e assistente social. Bruna é uma das pessoas que foram atendidas na Defensoria”, mencionou.

Graziele esclareceu que além da atuação criminal para responsabilizar o agressor, a Defensoria Pública também atua na área cível na busca por indenização ou procedimentos na área da saúde. “Os critérios para a laqueadura, por exemplo, acabam dificultando o acesso das mulheres aos serviços de saúde, Até hoje, por exemplo, as mulheres precisam da autorização do marido para realizar laqueadura”, afirmou a defensora.

Professor Rinaldo (PSDB) comentou que a rede de proteção de Mato Grosso do Sul tem sido referência em atendimento. “A rede de proteção do nosso estado é bem organizada. A Casa da Mulher Brasileira é referência não apenas para outros estados, mas até para outros países. Reconhecemos que é necessário falar sobre o assunto e combater a violência, e essa é a responsabilidade de homens e mulheres comprometidos com o bem comum”, afirmou o parlamentar.

Coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Mulher, Marçal Filho (PSDB) falou da importância do tema. “Não há justificativa para violência física ou verbal contra a mulher. Muitas pessoas denunciam quando vêem violência a animais, chegam a enviar vídeos denunciando. Mas por que não fazer o mesmo quando se trata de um ser humano? Essa ideia de que não se mete a colher em briga de marido e mulher deve acabar. Quando há violência, se mete a colher sim”, disse o deputado.

Depoimento de Bruna

Bruna Oliveira dos Santos foi assistida pela Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul quando sofreu violência doméstica, mas hoje trabalha na Subsecretaria de Políticas Públicas para as Mulheres ajudando a conscientizar as pessoas sobre a importância da denúncia.

Na tribuna da Casa de Leis, Bruna contou sua história. Ela procurou a proteção e o auxílio da Justiça após ter sofrido uma tentativa de feminicídio praticada pelo ex-marido em 2017. Bruna recebeu golpes na cabeça, nos braços e no rosto enquanto dormia. Ela correu, conseguiu fugir de casa, percorreu seis quadras com o agressor a seguindo. Durante o percurso na rua, Bruna não recebeu ajuda.

Para Bruna, é importante mostrar às mulheres que a Justiça existe. “Enquanto sociedade não podemos nos calar. Meu agressor foi julgado e condenado em menos de um ano após os fatos. As pessoas questionam o porquê das mulheres permanecerem em relações abusivas. Mas enquanto sociedade, precisamos nos questionar, por que nós produzimos homens assim?”, refletiu Bruna. Ela defendeu o fortalecimento da mulher para que procure ajuda quantas vezes precisar.“Todas precisam conhecer os serviços pelos quais eu passei e fui atendida com excelência. Hoje estou aqui por conta desse atendimento, e infelizmente nem todas as mulheres têm essa oportunidade”, lamentou mencionando a falta de informação para buscar ajuda.

depoimento de Bruna Oliveira dos Santos está disponível no canal do YouTube da Assembleia Legislativa. Assim como o vídeo da campanha estadual Não é possível que você não esteja ouvindo.

Para denunciar e combater a impunidade, os cidadãos podem ligar à Central de Atendimento à Mulher: 180.

Por: Ana Maria Assis   Foto: Luciana Nassar